Eles dançam atrás da portaEm minha vivência artística, na época em que estive na Unicruz fazendo a graduação um professor não gostava de mostrar seu trabalho fora da sala, e a desculpa dele era de que ele não era afim de se expor para quem não queria ver arte.A arte nem sempre é bem vinda, e mesmo não tendo uma recepção acalorada em alguns lugares ela acontece mesmo assim. Quando os professores de arte, sobre tudo, se isolam atrás das portas de sua sala de aula, deixam de aproveitar momentos de euforia, experimentos de medo, sensações de novo com seus alunos. O mais comum é ver todos dentro de quatro paredes e depois os alunos sendo cobrados a apresentarem-se em palcos.Em uma das minhas experiências mais gratificantes em salas de aula enquanto oficineiro de teatro, propus aos meus alunos da Escola Antônio Mathias Anchau de Nova Boa Vista, aqui no interior do Rio Grande do Sul, para sair da sala de aula várias vezes, foram circos, danças, performances e músicas, tudo no lado de fora. A situação acontecia no começo da aula, no recreio e no final da aula. Não preciso dizer que foi uma experiência única, pois esta experiência aconteceu a mais de cinco anos atrás e a vivência para mim não foi esquecida, tanto que se transformou em multiplicadora de idéias e inspirações para outras aulas como as que realizo hoje, em Porto Alegre, no IEIMAM, com dança e teatro.Afirmo que nem todos que viram os trabalhos gostaram, alguns criticaram e outros acharam muito interessante ou gostaram. Como sempre várias sensações. Mas o mais importante é que uma aluna me achou no Orkut, e agradeceu por ajuda - lá no passado a superar medos de público, e segunda ela nunca havia saído para se expor, expor o que sabia ou estava aprendendo a fazer.A performance fora da sala de aula é uma mostra de nós, uma exposição para o mundo, correndo o risco de que os outros falem, critiquem e queiram questionar os seus trabalhos. Cause situações, frustrações e vitórias como foi o caso desta aluna. O que nós enquanto educadores precisamos observar é que nem tudo que fizemos até hoje na nossa história gostamos de fazer. E que a performance é a situação enfrentada na vida. E a vida é assim como a arte, ou a arte é assim como a vida. Por isso não concordei com meu professor na Universidade e sei que podemos escolher em ficar atrás da porta sem que nos percebam, ou nos mostrar ao mundo para que pensem, que falem e que isso nos sirva de lição para aperfeiçoar, aguçar olhares ou simplesmente viver.
Postado por Cassiano Pellenz
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